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As cortinas de contenção possuem um manuseio simples, dispensando o uso de equipamentos, podendo ser simples ou duplas. Elas eliminam a necessidade de fôrmas, prancheamentos e cimbramentos para concretagem (no caso de duplas).
Com acabamento em concreto aparente, são dimensionadas de forma unidirecional.
Em obras residenciais, é bastante comum a prática de escavação do terreno para criação de pisos de estacionamento. Para que as escavações ocorram de forma segura e sem comprometer a estabilidade das residências vizinhas, utilizam-se métodos de Contenção de divisas.
As contenções são selecionadas e dimensionadas basicamente em função de características do terreno, empuxo gerado pela vizinhança e presença de lençol freático. Os métodos mais comuns empregados em obras residenciais são contenções em Perfil Pranchão e Parede Diafragma.
O primeiro é aplicado em grande escala, por razões como alta produtividade, curto prazo de execução e custo relativamente baixo, porém é limitado a utilizações onde não se encontre presença de água e a vibração gerada no processo de cravação de perfis seja admissível. O segundo é aplicado em situações onde se deseje estanqueidade a água, porém o alto custo do processo deve ser levado em consideração.
Esse trabalho é voltado às contenções em Perfil Pranchão, com ênfase na substituição do método convencional de concretagem em formas de madeira por uso de placas de concreto pré-moldadas simples e duplas.
São placas em concreto armado, a serem aplicas apenas na face aparente da cortina, com acabamento liso que dispensa revestimento, fabricadas por empresas especializadas, conforme figura 03 a seguir:

Figura 3 - Placa Pré-Moldada Simples
Para o dimensionamento das placas, é necessário o fornecimento do diagrama de empuxo, que deve ser disponibilizado pelo consultor de Fundações da obra. As placas são fabricadas após medição in loco dos vãos entre perfis, e acompanham etiquetas de identificação para que sejam aplicadas no local planejado. Além da armadura das placas, que é dimensionada para suportar a flexão gerada pelo empuxo do maciço, também deve ser utilizada armadura vertical, geralmente detalhada em barras corridas, em função das cargas distribuídas originadas por vigas e lajes que eventualmente sejam engastadas na cortina.
A figura 04 a seguir representa um corte esquemático da aplicação de placas simples:

1º Passo: No método de placas simples, o uso de prancheamento de madeira é indispensável. Nesse caso, a camada drenante deve ser compreendida entre a prancha de madeira e o vão a ser preenchido por concreto. Procede-se então com a escavação em cachimbos acompanhada do prancheamento de madeira, realizando as atividades simultaneamente, em vãos alternados.

2º Passo: Transfere-se uma referência de nível aos perfis, para que as placas sejam aplicadas até a altura do fundo das vigas contempladas no projeto de estrutura.
O uso de placa pré-moldada dupla tem por objetivo a redução de custos, através do controle de espessura da parede e da eliminação do prancheamento de madeira. No caso das placas simples, a espessura fica condicionada as dimensões do perfil metálico, e com as placas duplas consegue-se liberdade de dimensionamento da parede. Porém o processo exige ainda mais cuidado com a execução, uma vez que a única forma de estabilizar os vãos é através da concretagem das placas, que para esse processo devem acontecer diariamente.

Figura 09 - Placa pré-moldada dupla
Uma observação importante para a tomada de decisão quanto ao uso de placas duplas está na logística do canteiro de obras. Por dispensar o prancheamento, é necessário a concretagem alternada dos vãos diariamente, para que as frentes de escavação sejam liberadas. Dessa forma, deve-se ter atenção com o volume de concreto a ser aplicado diariamente no canteiro. Para que a operação seja interessante do ponto de vista financeiro, o volume precisa ser igual ou maior ao volume mínimo de bombeamento acordado com a concreteira, que habitualmente gira em torno de 40m³ / dia. Volumes menores implicam no pagamento de taxa mínima do serviço de bombeamento, e dependendo dos valores, os custos podem não justificar o uso das placas duplas, devendo-se levar em consideração a utilização de placas simples. Frente a esse cenário, observa-se que placas duplas são particularmente interessantes em grandes canteiros de obra, com áreas de contenção consideráveis.
A figura a seguir ilustra a aplicação das placas duplas:

1º Passo: No método de placas duplas, o prancheamento de madeira é eliminado. Inicia-se a escavação em cachimbos e a camada de material drenante é aplicada diretamente no maciço de solo.
2º Passo: A transferência do nível acontece da mesma forma. Para as placas duplas não existe necessidade de travamento interno, uma vez que as placas permanecem na posição quando instaladas, porém recomenda-se que o travamento externo aconteça da mesma forma. Durante a colocação das placas, deve-se preencher o vazio existente entre o maciço de solo e a placa do fundo com solo-cimento, com atenção especial para a compactação nesse trecho:

3º Passo: Acrescenta-se a armadura vertical e realiza-se a concretagem dos vãos também em duas etapas. Os mesmos cuidados quanto a limpeza e remoção dos travamentos devem ser observados. Ambos os processos, placas simples ou duplas, resultam em uma contenção sem necessidade de revestimento, apta para receber diretamente a pintura de acabamento. Do ponto de vista de durabilidade, recomenda-se exigir dos fabricantes o controle tecnológico do concreto, os relatórios de ensaio do aço empregado e ainda deverá ser observado o consumo de cimento e relação A/C do traço empregado, garantindo que as placas sejam protegidas de processos deletérios como a carbonatação.

O uso de placas de concreto pré-moldadas apresenta como vantagens:
• Eliminação de revestimento final;
• Eliminação do uso de formas de madeira, contribuindo com os programas de sustentabilidade;
• Racionalização no canteiro de obras;
• Cria condições para o dimensionamento da espessura da parede, anteriormente limitada pela espessura do perfil metálico.
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